20 de dezembro de 2011

esta semana ouve-se:

Eu já gostava deles, desde o Always on the Telephone. Ando a explorar o novo álbum e até agora gosto bastante desta.






Vem mesmo a calhar, com o tempo parado das semanas antes do fim de um ano.

19 de dezembro de 2011

She wasn’t doing a thing that I could see, except standing there, leaning on the balcony railing, holding the universe together*

















* J.D. Salinger

a família

A minha avó liga-me de vez em quando. Para se assegurar que eu não estava no Japão na altura do tsunami, se por algum acaso fui presa injustamente, se me tenho alimentado porque coitadinha tenho duas mãos que não devem funcionar muito bem. Se me queimei a acender um fósforo ou ainda se consegui apanhar um autocarro por causa da greve dos camionistas.
Só não consegui perceber ainda, se é melhor dizer que estou em casa ou não. Quando estou em casa não posso estar sozinha, mas se está muita gente é perigoso porque as pessoas são malucas. Não posso comer congelados, mas também não posso perder muito tempo a cozinhar depois de um dia de trabalho, coitadinha.
Vendo pelos olhos da minha avó, passada a porta da rua, o cenário é pós-apocalíptico, com granadas a fazer as vezes das pedras da calçada e caixas com mantimentos e armas, disfarçadas de caixotes do lixo. E depois toda a gente sabe daquele perigo eminente de se levar com um piano em cima. E o meu vizinho de cima tem mesmo um piano. 

quando chega a altura de não gostar do Natal

Pensei que não me ia apanhar. Tal como tive a certeza de que não iria ter gripe A e por isso não tomei a vacina.
Bom, de facto não tive gripe A, mas isso agora não é importante.
Mas em relação ao Natal embora achasse que a coisa não ia pegar, o troco já foi outro. Chegava a Novembro e já andava de enfeites na mão pela casa e a olhar para as montras das lojas dos 300 e a inventar parentes para comprar presentes. O Natal é dos miúdos, verdade, mas as garrafas de vinho, whisky e mon-cheris vão deixando a malta adulta apreciar o seu bocadinho de Natal. Depois vem o All I want for x-mas is you da Mariah Carey e a certeza de que you queríamos ter no Natal e a coisa começa a azedar, ou não. A família começa a ficar mais pequena, por norma, claro que há sempre as famílias de parideiras. Uns anos depois começa um esforço para não limitar a alegria do Natal ao bacalhau e eventuais presentes. Vamos portanto, puxar da criatividade e para quem ainda não o fez, experimentem embebedarem-se com os  familiares e recorram ao beijinho embrulhado, que a coisa passa-se.













Quanto ao fim de ano, não faço resoluções na mesma, mas decidi que me vou concentrar mais no beijo da meia-noite do que nos desejos das passas, que, verdade seja dita, a meio do ano já não me lembro de metade. Só mesmo nas obsessões que passam de ano para ano.

16 de dezembro de 2011

crónicas culkin*: auto-satisfação

Aquando ausência de companhia, deixar de brincar jamais será solução.






* O Macaulay Culkin a.k.a. Super Cute em pequenino, human-testing-gone-bad em grande, foi deixado várias vezes sozinho em casa, nos anos 90. É por isso um símbolo da negligência (pré-independência)/ esquecimento de sua existência, por outros.